terça-feira, 10 de maio de 2016

A Apreciação Crítica

COMO PLANIFICAR, TEXTUALIZAR E REVER UMA APRECIAÇÃO CRÍTICA?



Objeto a descrever: pode ser físico ou cultural - material ou imaterial

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Método de planificação
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Conheces a técnica do brainstorming? Mãos à obra!

- faz o levantamento de todas as ideias que é possível associar ao objeto em apreciação, sem qualquer preocupação de arrumação das mesmas;
- procede à aglutinação das ideias levantadas por nexos de sentido, em função de hiperónimos que as subordinem a uma ideia comum;
- prepara a organização desses grupos de ideias por ordem de abordagem no texto, de forma a assegurar a progressão temática.


Método de textualização:

- elabora uma introdução onde indiques o objetivo do teu texto e qual o objeto em apreciação, indicando desde logo uma característica de âmbito geral sobre o mesmo; 

- utiliza seguidamente uma parte puramente descritiva das características desse objeto sem esquecer que deves comprovar, ao longo do texto a característica geral que enunciaste;

- na descrição deve predominar o uso de verbos como "ser", "apresentar", "ter", "evidenciar" e adjetivos com uma grande carga de objetividade;

- elabora seguidamente um parágrafo onde utilizes expressões valorativas e de carácter mais subjetivo sobre o objeto, em comparação com outros da mesma espécie; regista exemplos concretos; apresenta a opinião de alguém com peso na matéria para fundamentares a tua;

- elabora uma conclusão, onde sintetizes as ideias que foste reunindo ao longo do texto, sem te esqueceres de destacar a tua tese inicial, que terás claramente comprovado;

- entre cada parágrafo estabelece relações de sentido lógicas, através do uso de organizadores de discurso (Por um lado... por outro lado; De facto...; Na realidade...; Além disso...; Ainda assim; Aacrescente-se ainda...; Saliente-se que...; Em suma...; Concluindo,...)


Revisão

- Guarda uns minutos para releres o teu texto e verificares se asseguraste:

    - a coesão (através da substituição das palavras e expressões repetidas por sinónimos, por hipónimos ou hiperónimos; através da substituição destas por pronomes / determinantes);
      - a progressão temática (verifica se os assuntos estão encadeados e bem relacionados através dos organizadores de discurso e demais conectores);
      - o uso do léxico mais adequado e o vocabulário específico da área (em linguagem corrente ou elaborada);
      - a correção no domínio frásico, na ortografia e na acentuação.



Inspira-te e aprecia... o que tiveres de apreciar!
  

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Uma comunidade de debate sobre a ciência



Jovens hi-tech 2.0 é uma comunidade no Facebook criada por jovens da Leal. Estão no 11º ano, têm discutido, em aulas de Física e Química A, diversas questões socio-científicas controversas. Dessa discussão tem vindo luz, tem vindo esclarecimento, mas também muitas angústias que se relacionam com o futuro da sociedade e do nosso planeta, o nosso único planeta habitável … sabe-se lá por quanto tempo mais???

São jovens consumidores de tecnologia, como todos os outros, mas querem partilhar muito do que têm aprendido e, sobretudo, querem agir junto da sua comunidade, no sentido de a desafiar a consumir essa tecnologia com pensamento crítico. É por isso que vos convidam a fazer parte da comunidade Jovens hi-tech 2.0. Aceitam-se jovens dos 7 aos 107 anos!J

Consulta a página  AQUI  e perceberás a razão do nome da comunidade.
Todos somos poucos! Amanhã é tarde! Participa!

Jovens hi-tech 2.0




terça-feira, 5 de abril de 2016

A Luz na Pintura

Captar a difusão da luz através dos espaços e sobre os objetos é algo que todos os pintores almejam. Neste artigo apresentamos, em traços genéricos, o modo como cada estética resolveu a incidência da luz sobre o mundo físico.


No expressionismo...





No realismo...


Degas (1834-1917)

Um livro que nos apresenta a figura de Degas, as suas obras e o seu estilo único que apresenta fortes elementos do Realismo e do Renascimento italiano. As suas obras são marcadas pelo uso de uma representação muito suave da luz. Apresenta também traços do Modernismo, já no fim da sua vida. 








No Impressionismo...





No Romantismo...


Caspar David Friedrich (5 de setembro de 1774 - 7 de maio de 1840) foi um pintor, gravurista, desenhista e escultor romântico alemão, grande paisagista.

A obra completa abaixo mostra-nos o modo ímpar como Friedrich  geriu a  representação da luz sobretudo a lunar.






No Barroco...







Ver AQUI a pintura de Johannes Vermeer (1632-1675).



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Documentário "Os Impressionistas" - um olhar sobre o impressionismo na pintura

Título original: The Impressionists

Produção: BBC




Sinopse: 

Em três capítulos de 1h cada, a minissérie Os Impressionistas foi exibida pela primeira vez em abril de 2006, pela BBC. Em forma de documentário dramatizado, narra a história dos pintores impressionistas mais ilustres: Monet, Manet, Degas, Bazille, Renoir incluindo Cézanne, que não é exatamente definido como impressionista pelos críticos de arte, mas que inicia a carreira com fortes laços a esta corrente estética. A história é narrada pelo Velho Monet que, durante uma entrevista, vai contando a um jornalista e crítico de arte os principais momentos da sua vida, da sua carreira, das suas relações com os demais artistas do movimento, incluindo alguns aspectos particulares da vida e personalidade de cada um. Richard Armitage interpreta o Jovem Monet e constrói de forma brilhante a figura do artista. 

A produção recria cuidadosamente o ambiente artístico e social do final do século XIX. 


Elenco: 

Richard Amitage (Jovem Claude Monet) Julian Glover (Velho Claude Monet) Sebastian Armesto (Crítico de Arte) Crispin Bonham-Carter (Ambroise Vollard) Anthony Calf (Émile Zola) Charlie Condou (Renoir) Aden Gillett (Degas) Andrew Havill (Manet) James Lance (Bazille) Will Keen (Cézanne) Michael Culver (Pai de Cézanne) Ella Kenion (Suzanne Monet). 



O impressionismo foi um movimento artístico (artes plásticas e música) que surgiu na 

França no final do século XIX. Este movimento é considerado o marco inicial da arte 

moderna. O nome “impressionismo” deriva de uma obra de Monet chamada Impressão, 

nascer do Sol (1872).


sunrisewu (1)


Características do impressionismo nas artes plásticas:


- Ênfase nos temas da natureza, principalmente de paisagens;

- Uso de técnicas de pintura que valorizam a ação da luz natural;

- Valorização da decomposição das cores;

- Pinceladas soltas buscando os movimentos da cena retratada;

- Uso de efeitos de sombras coloridas e luminosas.



Principais artistas impressionistas e obras mais conhecidas:


- Claude Monet : 

Estuário do Sena, Impressão, Nascer do Sol, Ponte sobre Hève na Vazante, Camille, O vestido verde, A floresta em Fontainebleu,  Mulheres no Jardim, Navio deixando o cais de Le Havre, O molhe de Le Havre.


- Edgar Degas: 

Retrato da família Bellelli, Cavalos de Corrida numa Paisagem, Cavalos de Corrida, Retrato de duas meninas, Paisagem, A banheira, A primeira bailarina.


- Pierre-Auguste Renoir: 

Mulher com sombrinha, O Camarote, Le Moulin de la Galette , Madame Georges Charpentier e suas filhas, Remadores em Chatou, Elizabeth e Alice de Anvers, A dança em Bougival, Mulher amamentando, As grandes banhistas, Menina com espigas, Menina jogando criquet, Ao piano, Odalisca, Retrato de Claude Renoir, Banhista enxugando a perna direita. 


- Édouard Manet: 

Os romanos, A decadência, O bebedor de absinto, Retrato do Sr. e Sra. Auguste Manet,  O homem morto,  A música na Tulheiras, Rapaz em costume espanhol, Almoço na relva, Olympia, A ninfa surpresa, A leitura, O tocador de pífano, A execução de Maximiliano,  Retrato de Émile Zola, Berthe Morisot de Chapéu Preto



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Estudar a luz - espaço online de Físico-Química


Resultado de imagem para a luz física
A luz é um fenómeno estudado pela Física. A sua importância para a sobrevivência da espécie humana é fundamental. Foi a luz do Sol que originou a vida; foi a luz do fogo que iluminou os espaços escuros e que, paralelamente, protegeu o homem dos animais selvagens e do medo irracional provocado pela escuridão. Luz é o oposto de trevas. Na vida moderna, já não podemos prescindir da luz não natural, associada à energia elétrica ou a outras fontes de energia.
Para estudares a luz e a forma como a captamos, deixamos aqui a ligação para um espaço que pode ajudar-te a compreender este e outros fenómenos estudados pela Física.
http://www.aulas-fisica-quimica.com/8f_11.html

Desfruta-o!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Como estudar História?


Luneta antiga sobre mapa histórico

Como é sabido, cada pessoa é diferente e trabalha com capacidades e recursos de estudo também diferentes. Há também modelos de aprendizagem mais adequados para cada tipo de inteligência, pelo que as sugestões que serão objeto deste texto não são únicas nem esgotam todas as possibilidades.

Deixamos aqui algumas técnicas de estudo válidas para qualquer disciplina, mas ideais para História que é fundamentalmente factual e, em alguns casos, também conceptual.  É impossível dissociar os acontecimentos históricos da história das ideias, da história da arte e da própria estética. 


O objetivo deste artigo é propor uma conjugação das novas tecnologias da informação com as formas tradicionais de estudo (resumos, sínteses, esquemas, mapas de conceitos e frisos cronológicos) de forma a que o estudo ganhe novas formas de autonomia. 


Técnicas e Recursos para Estudar História


O conhecimento da nossa história é essencial para todos os estudantes, porque fornece o contexto para a realidade em que vivemos, explicando muitos dos eventos atuais. Por isso, estudar história é fundamentalmente compreender os acontecimentos em termos de causas e efeitos, alicerçados num dado contexto ideológico e político. A memorizar é importante mas mais importante ainda é analisar a informação e esquematizá-la para integrar os factos e relacioná-los.
1. Desenvolve e organiza as ideias
Em história, devido à sucessão de acontecimentos, a palavra-chave é o tempo. É essencial portanto, garantir que haja uma representação mental da ordem cronológica. Assim, podemos criar linhas do tempo que se conectam às nossas referências ou dividi-las por anos, décadas ou séculos.
Nos manuais escolares, os textos e documentos analisados são, por vezes, muito extensos. Não é preciso memorizar todos os detalhes. Em vez disso, é muito importante estabelecer uma conexão entre os factos. Os eventos devem seguir uma ordem lógica para nos ajudar a entender e memorizar, por isso o uso de mapas mentais ou conceptuais pode ser útil para visualizarmos todas as informações.
O mapa conceptual acima, compreende todas as ligações entre acontecimentos, povos e instituições com relevo na história da 2ª Guerra Mundial.  Uma técnica que podes usar para elaborares o teu próprio mapa é dividir cada um dos eventos estudados em causas, eventos e consequências. Existem vários programas que permitem realizar este tipo de mapas. Até o próprio Word apresenta uma aplicação que configura gráficos.

2. Cria uma ficha para cada tema
- Situa o evento / tema no tempo e no espaço
- Resume o evento / tema
- Analisa o contexto histórico (político, geográfico, cultural)
- Compreende o evento / tema 
      - antecedentes
      - causas, 
      - consequências
- Indica os desdobramentos e correlações do evento

Itens a pesquisar
Anotações sobre o tema / Acontecimento
Tema / Acontecimento

Espaço e Tempo

Contexto histórico

Principais causas

Principais eventos

Consequências


Exemplo da aplicação desta ficha:

a) Facto Histórico: Primeira Guerra Mundial.
b) Espaço e Tempo: Europa, de 1914 a 1918.
c) Contexto Histórico: Imperialismo, Política de Alianças, Paz Armada.
d) Causas: Disputa de mercados imperialistas, Divergências político-econômicas, Revanchismos, Nacionalismo.
e) Evento: A guerra, O início, Blocos militares em conflito, Etapas, O término.
f) Consequências: Tratado de Versalhes, Fim da hegemonia europeia, Aparecimento de novas nações, EUA como potência mundial, Criação da Liga das Nações, Revanchismo alemão, Fortalecimento do nazi-fascismo.

3. Retém as palavras-chave
Muitos exames de história incluem perguntas específicas sobre datas e nomes, a memorização deve fazer parte do nosso processo para estudar história. Os flashcards são uma uma excelente alternativa neste caso.
4. Vê filmes sobre situações da História
Outro método que pode ser muito eficaz quando se estuda a história é o cinema. Há muitos bons filmes que retratam acontecimentos históricos com alto rigor que nos permitem aprender enquanto desfrutamos de algum tempo de lazer. Se optares por essa técnica, certifica-te de que o filme é fiel aos factos históricos! Verifica a lista de filmes históricos, no site abaixo:
5. Faz quizzes de História e partilha-os com os teus colegas
Finalmente, uma vez que estudares história envolve memorizar uma série de informações, é necessário testar os nossos conhecimentos antes de enfrentar um exame. Podes criar um quiz baseado na matéria e trocar informações com os teus amigos.
6. Descobre formas de estudo online
A maioria dos professores propõem aos seus alunos a consulta regular de sites de referência ou mesmo os seus próprios sites. Neles podes encontrar resumos, exercícios, testes e outras tarefas de aprendizagem. 
Sugestões de sites de aprendizagem da História:
História Mais – tem de forma resumida acontecimento de datas e factos da história mundial desde o surgimento do mundo.
Sítios da História - um blogue com testes sobre toda a matéria de História para realizares e corrigires, treinando, assim, a escrita. 

Preocupa-te em verificar bem as fontes que utilizas nas tuas pesquisas. Deves confrontar os resultados, para te certificares de que encontraste informação válida.

Bom estudo!


Fontes:

https://www.examtime.com/pt/blog/como-estudar-historia/



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Conectores e Organizadores Textuais



Sendo o texto resultante de uma organização em blocos de sentido, hierarquizados e relacionados entre si, muitos são os operadores linguísticos que contribuem para a ligação entre esses blocos. 

Proliferam nos manuais escolares e na nomenclatura usada pelos professores as mais diversas designações desses operadores: conjunções, conectores frásicos, conectores interfrásicos,  conectores textuais, marcadores discursivos, marcadores enunciativos, marcadores temporais, entre outros.

Não havendo uma ordem nestas designações, aparentemente, todos teriam as mesmas propriedades e a mesma função no texto e não é exatamente o caso.

Tanto o Dicionário Terminológico como o texto “Gramática Textual do Português” de Maria Antónia Coutinho, contribuem para caracterizar, relacionar e clarificar estas designações.

Os conectores designam as palavras ou expressões que servem para conectar (ligar, unir) vários segmentos linguísticos: as frases de um período, os períodos no parágrafo e os parágrafos no texto. Incluem-se neste grupo várias subclasses gramaticais de palavras: conjunções (e; pois...); locuções conjuncionais (além disso; no entanto...); advérbios (depois; finalmente...) ; locuções adverbiais (em seguida; por último...); algumas orações não finitas ou com o verbo numa forma nominal – gerúndio, infinitivo ou particípio – (concluindo; para terminar; feito isto).

A noção de conector prende-se com a lógica dos predicados e a lógica das proposições, o que determina o valor de verdade de uma proposição complexa, a partir dos valores de verdade ou de falsidade das proposições simples conectadas, conforme indica Lyons (1997) citado por Coutinho.

As conjunções, por exemplo, pertencem a uma classe de palavras fechada e invariável, conforme se lê no Dicionário Terminológico:

«Palavra invariável, pertencente a uma classe fechada de palavras, que introduz orações e constituintes coordenados e orações subordinadas completivas e adverbiais». Assim, conjunções e conectores não são termos sinónimos, pelo menos, se atentarmos no que indica o Dicionário Terminológico

«[Conectores discursivos] São uma classe de marcadores discursivos, que ligam um enunciado a outro enunciado ou uma sequência de enunciados a outra sequência, estabelecendo uma relação semântica e pragmática entre os membros da cadeia discursiva, tanto na sua realização oral como na sua realização escrita. Morfologicamente, são unidades linguísticas invariáveis, pertencem a heterogéneas categorias gramaticais como interjeiçõesadvérbios ou conjunções –, têm a mesma distribuição da classe de palavras a que pertencem e contribuem de modo relevante para a coerência textual, orientando o recetor na interpretação dos enunciados, na construção das inferências, no desenvolvimento dos argumentos e dos contra-argumentos».

Como exemplos, temos os conectores aditivos ou sumativos: além disso, ainda por cima, do mesmo modo, igualmente, etc; os conectores conclusivos e explicativos: por consequência, logo, portanto, de modo que, donde se segue, etc;  os conectores contrastivos ou contra-argumentativos: sem embargo, não obstante, todavia, contudo, de qualquer modo, em todo o caso, etc.

Segundo indicação do Ciberdúvidas de Língua Portuguesa, "os conectores constrastivos, não são considerados conjunções, mas apenas conectores de coordenação, conforme designação proposta por Matos na última edição da Gramática Portuguesa de Mateus et al. (2003). Na verdade, não apresentam as mesmas propriedades que as conjunções e, por isso, a sua categoria gramatical é reequacionada. Os conectores contrastivos são, na realidade, advérbios de valor contrastivo: porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. Os conectores conclusivos também não são conjunções mas expressões adverbiais ou preposicionais que funcionam como adjuntos frásicos ou verbais com valor conclusivo. Sem mudarem de classe gramatical, também os conectores explicativos não são conjunções, mas sim conectores de coordenação".

Podemos, assim, dizer que as conjunções formam um subconjunto dos conetores e que são estes últimos que se constituem como organizadores textuais, podendo abranger operadores oriundos de outras classes gramaticais, designadamente os advérbios e locuções adverbiais ou as locuções preposicionais, bem como frases e segmentos de frase, orações breves, expressões adverbiais ou conjuncionais (que formalmente podem coincidir com o conector) as quais têm por função explicitar um dado tipo de articulação entre estruturas semânticas complexas (coincidente algumas vezes com o parágrafo, mas não obrigatoriamente) com o objetivo de construir o sentido de um texto.


Exemplos de Organizadores Textuais
Assim...
Deste modo...
No que a (x) diz respeito...
Daqui decorre que...
Não há dúvida de que...
Acresce que...
Soma-se a esta situação...
A somar-se a esta situação está...
Consequentemente...
Inversamente...
Simplesmente...
Justamente...
Vemos então que...
Devemos notar que...
Fica claro que...
Noto que...
Devo notar que...
É de sublinhar...
Sublinho que...
Não posso deixar de referir...
Em boa verdade...
Consideremos que...
Para além disso...
Ora...
Em contrapartida...
De facto...
Na realidade...
Em oposição...
Ao contrário...
Da conjunção destes fatores resulta que...
Daqui decorre que...
É certo que x é …. mas também não é menos verdade que…
Enquanto que...
Em contrapartida...
Em todo o caso...
Em virtude de...
Um outro facto/ tipo/ elemento/, causa...
Como referi acima...
Por outras palavras...
Dito de outro modo...
Tal equivale a dizer que...
Se virmos bem...
Afinal...
É fundamental perceber...
Enquanto isso...
Daí que...
A verdade é que...


Os organizadores acima não têm todos o mesmo valor semântico: podem ser aditivos, contrastivos, conclusivos, explicativos, de reformulação, de contra-argumentação, de enumeração, de argumentação, etc. Vejamos, por exemplo, a categoria de organizadores enumerativos entre os quais se contam os aditivos e os marcadores de integração linear. A diferença entre ambos reside no facto de os aditivos não introduzirem qualquer princípio de ordem, limitando-se à função de ligação sintática (e, ou, também, igualmente) enquanto os marcadores de integração linear asseguram a abertura, a continuidade e o fecho de uma série, ao estabelecerem relações de ordem hierárquica, espacial ou temporal. Utilizam-se também, para designar os mesmos, o conceito de “marcadores / organizadores temporais e espaciais”: então, seguidamente, mais tarde, finalmente; ao centro, ao lado, ao fundo, ao longe.

Os introdutores do universo do discurso, a que ocasionalmente chamamos expressões introdutórias,  transcendem a mera introdução do que se vai dizer a seguir, uma vez que constituem processos que configuram domínios, porções de texto condicionadas a um determinado quadro, espaço ou interpretação conforme se lê no texto de Maria Antónia Coutinho. Exemplos de introdutores de discurso são: “Segundo o autor…”, “No século XX…”, “Em França…”, “Para os gregos…” ou ainda construções com verbos de opinião.

Acrescente-se ainda a designação de marcadores de sequencialização proposta por diversos autores, baseada na noção de sequência: esta corresponde a uma mudança de rumo do texto claramente indicada pelo sujeito enunciador. Todos os conectores, em geral, são marcadores de sequencialização mas alguns assumem um papel mais explícito na marcação do princípio e fim de uma unidade: “Esta introdução…”, “Para concluir…” e “Em resumo”.

Os conectores argumentativos são apresentados no texto de Coutinho como “morfemas (do tipo conjunção de coordenação ou de subordinação, advérbio, locução adverbial, etc) que articulam dois ou mais enunciados, envolvidos numa mesma relação argumentativa”. Convém sublinhar que “argumentar” é diferente de “provar”. Assim, existe relação argumentativa entre dois enunciados, quando um deles é apresentado como destinado a fazer admitir ou justificar o outro. Um será argumento, outro conclusão: “Acabei o trabalho ontem, portanto acabei-o antes do prazo”.

Os argumentos podem ter a função de causa, ou explicação, de justificação, de oposição e de confirmação. Esta noção de que uma proposição contém argumentação sobre o que se diz noutra com a qual está conectada é bastante elucidativa: por um lado, ajuda a explicar aos alunos o tipo de ligação de sentido entre duas frases subordinadas; por outro lado ajuda os alunos a reconhecerem e a produzirem argumentos.

Em termos de reflexão final sobre o tipo relações entre os conceitos abordados, parece-nos que “conectores” é a designação que se aplica à ligação de proposições simples, no microtexto, ao nível frásico, enquanto a noção de “organizadores textuais” já se coloca ao nível de segmentos de texto de maior dimensão como o parágrafo ou período.

Os organizadores textuais também se configuram a partir de palavras das mesmas classes gramaticais, porém, incluem outro tipo de expressões, sobretudo no caso dos introdutores do universo do discurso.

Com a leitura dos documentos citados, penso ter organizado mentalmente, a nível pessoal, um conjunto de conceitos afins, cuja utilização difusa contribuía para produzir confusão e dúvida no espírito dos alunos.


Bibliografia:

Coutinho, Maria Antónia, “Gramática Textual”, FCSHL

Dicionário Terminológico, DGEST 
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

                                                                                      
                                                                                                                      Ana Isabel Falé